11 julho 2011

daniel radcliffe na entrevista com a revista epoca!

O ator que encarnou Harry Potter diz que não gosta da fama, e fala de seus projetos como ator de um musical, um filme de terror e seu ativista pela causa gay MARIANE MORISAWA, DE LONDRES É engraçado encontrar Daniel Radcliffe ao vivo. Sem os óculos de aros redondos de Harry Potter, seus olhos azuis, constantemente arregalados nos primeiros filmes, parecem ainda maiores. O garotinho adorável que cresceu junto com seu personagem mais famoso agora aproxima-se dos 22 anos mostrando um desprendimento raro em quem enfrenta gravadores, holofotes e câmeras há muito tempo. Apesar de algumas vezes medir as palavras, por temor de ser mal compreendido, ele não parece ter treinado as respostas, como acontece com muitos atores. Em entrevista à ÉPOCA, feita num quarto de hotel em Londres, vestindo camiseta e jeans, Daniel não esconde o misto de alegria e tristeza trazido pelo fim da saga, com a estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 , no dia 15 de julho, após mais de dez anos de dedicação ao bruxinho de raio na testa. Mas, alegre ou triste, fala de tudo com a mesma empolgação. Aliás, Daniel, fala muito, como ele próprio admite. Inicia frases que larga no meio, balbucia um pouco, gagueja outro tanto. Como bom inglês, diz obrigado para tudo. E, como bom inglês, faz questão de mostrar não se levar muito a sério. Conta ficar feliz porque seus amigos o enxergam como “Dan, o bobo”, em vez de “Dan, o cara famoso”. E, realmente, para um cara famoso – e rico, com fortuna estimada em R$ 120 milhões –, o rapaz não poderia ser mais pé no chão. Por estar em cartaz na Broadway, com How to Succeed in Business Without Really Trying (Como ser Bem-Sucedido nos Negócios sem Tentar de Verdade), Radcliffe praticamente não participa da divulgação da aventura final de Harry Potter – a entrevista feita por ÉPOCA aconteceu em agosto do ano passado, quando ele ainda fazia aulas de canto e dança para estrear no musical. Leia a seguir os principais trechos da conversa:                                                    ENTREVISTA - DANIEL RADCLIFFE     Quem é Daniel Jacob Radcliffe, nascido em Fulham, Londres, em 23 /7 /1989. Filho do agente literário Alan Radcliffe e da diretora de elenco Marcia Gresham. No cinema Seu primeiro papel foi no filme para televisão David Copperfield (1999). Dedicou-se à saga Harry Potter por dez anos. Em 2007 , estreou dois filmes fora da série: Um Verão para Toda Vida , de Rod Hardy, e a produção para televisão My Boy Jack , de Brian Kirk. Em 2012 , estréia o terror The Woman in Black , de James Watkins. No teatro Apareceu nu na sua primeira peça teatral, uma montagem de Equus , de Peter Shaffer, também em 2007. Desde março, está em cartaz na Broadway com o musical How to Succeed in Business Without Really Trying , de Frank Loesser. ÉPOCA – O que Harry Potter significa na sua vida? Daniel Radcliffe – É o que me tornou quem sou. Devo tudo a Harry Potter. Não importa o que eu faça no resto da minha vida ou da minha carreira, sempre vou dever a Harry Potter, foi onde tudo começou. Vou sentir falta de interpretá-lo. A maior parte dos atores nunca tem a chance de fazer um herói de ação e é tão divertido! Há algumas coisas que fiz em Potter que nunca mais vou poder fazer. Mas devo dizer que vou sentir falta mesmo dos dez anos que passei no set, com essas pessoas maravilhosas. Passei meus anos de adolescência lá, fiz amizades. Cresci com Harry Potter. ÉPOCA – Conseguiria escolher momentos importantes desse tempo todo? Daniel – Para ser honesto, houve tantos momentos diferentes, lembranças, ocasiões do passado nos quais posso pensar. Me lembro de tudo de forma muito vívida. Não esqueci quase nada. Um amigo meu me fez prometer que um dia vamos sentar e assistir a todos os filmes juntos, porque ele quer ouvir meus comentários (risos) . Ele é um ótimo amigo, estou fazendo com que pareça esquisito (risos) . Tenho certeza de que isso vai me trazer muitas lembranças. Me lembro de me encrencar com Robbie Coltrane no primeiro filme, porque fiquei brincando com seu telefone. Fiquei muito envergonhado, escrevi um bilhete de desculpas, apesar de ele não ter ficado bravo. As pré-estreias, sempre uma loucura total, não são as noites mais fáceis do ano. São complicadas, só gosto porque é a chance de interagir mais com os fãs. Minha parte preferida é o trabalho em si, não as festas. Faço pela lama e pelo suor. ÉPOCA – O que podemos esperar de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 ? Daniel – A segunda parte não para, é muito rápida, muito excitante. É interessante porque o primeiro é um pouco mais lento, uma espécie de road movie que explora os relacionamentos entre os personagens. E na última parte vira essa sucessão de batalhas. É, você tem de se segurar na cadeira! (risos) ÉPOCA – Você declarou não ter ficado muito feliz com seu desempenho em Harry Potter e o Enigma do Príncipe . Por que esse sentimento? Está feliz com sua atuação nos dois últimos? Daniel – Quando assisti ao sexto filme, senti que poderia ter tido mais variedade. Achei que fiz tudo numa nota só. E isso me chateou muito. Mas também foi um bom momento para ter essa percepção, porque me motivou a trabalhar mais para o sétimo e o oitavo. Agora sei que, mesmo se eu ainda não gostar da minha performance, não foi por falta de trabalho, é porque sou muito autocrítico. Todo ator é muito autocrítico. Bem, você vai encontrar atores que amam tudo o que fazem! (risos). Mas muito raramente. É preciso ter esse nível de crítica sobre si mesmo, ou não conseguirá melhorar. ÉPOCA – Você é um grande fã de música. O que estava ouvindo quando rodou o último Harry Potter ? Daniel – Muito Florence and the Machine. Havia uma canção em particular chamada “My boy buildscCoffins” , que soava melancólica, mas também era forte e determinada e combinava muito com Harry. Havia também, no final do filme, “Between two lungs” , que fala de libertar-se e fazia sentido para Harry também. E como sempre para Harry, houve muito Radiohead (risos) . ÉPOCA – Alguma chance de ir ao Brasil? Daniel – Adoraria dizer que sim, mas não tenho certeza se vou conseguir viajar nos próximos meses. Adoraria ir ao Brasil, mesmo sem Harry Potter . Tenho certeza de que em algum ponto um outro filme vai me levar até lá. Tenho um amigo segurança, e ele foi com Will Smith para o Brasil. Achou incrível. ÉPOCA – A Emma Watson marcou a nova fase com um corte de cabelo radical. Daniel – Sim, seu renascimento! (risos) ÉPOCA – Fez algo similar? E apesar de dizer que vai sentir falta de tudo, também é bom se livrar de tudo? Daniel – Como você pode ver, eu não cortei meu cabelo! Sobre o futuro, é muito excitante! Um pouco aterrorizante também. Apesar de ter feito outras coisas além de Potter , não tenho mais como me refugiar na saga, e isso é um pouco inquietante. Estou muito animado porque é o próximo capítulo, só quero trabalhar muito, muito, muito duro... Muita gente me pergunta se queria tirar umas férias. E eu digo não! Não é nem questão de querer, não posso dar um tempo. Não posso me dar ao luxo, porque é o momento da minha vida de mostrar que posso e quero fazer outras coisas. Se eu tirasse seis meses de férias, seria muito fácil começarem a dizer que não levo atuação a sério. E eu levo. ÉPOCA – Mas você já fez outras coisas... Daniel – Sim, eu... Obrigado! (risos) Nem todos se lembram! Mas agora que Potter acabou e todos sabem disso é a hora de as pessoas medirem se realmente você quer outras coisas. Vai haver algum interesse agora no que todos nós vamos fazer. E enquanto você tem essa atenção sobre você, é importante ser visto, estar trabalhando. ÉPOCA – É por isso que está no teatro? Daniel – Não é a única razão, estou fazendo porque adoro. Minha vida toda gostei de musicais, meus pais sempre gostaram muito. Ter a chance de fazer um, ainda por cima tão famoso, é muito, muito especial. ÉPOCA – O que você pode contar de A Woman in Black ? É um filme de terror, certo? Daniel – Sim. Quando você diz filme de terror, as pessoas pensam em Pânico , O Massacre da Serra Elétrica , e não tem nada a ver com isso. Você viu Os Outros ? É nessa linha. Dei pulos quando li o roteiro. O diretor é meio gênio. A história é sobre um jovem que arruma um trabalho catalogando os documentos da casa dessa mulher que morreu recentemente. Aí ele começa a ver uma mulher vestida de negro. É um filme sobre perda, família e a natureza do luto. ÉPOCA – E como lida com o sofrimento? Daniel – Tendo a me tornar mais retraído, mais fechado. A frase que me vem é uma de Churchill: “Quando você está atravessando o inferno, siga em frente”. Mas não há sofrimento na minha vida. Há tristeza, ocasionalmente, mas sofrimento é muito forte. Toda vez que algo chato acontece, tento ser objetivo, não fico com raiva, em geral fico mais quieto. ÉPOCA – Algo emocionante é seu apoio a várias causas humanitárias. Daniel – Obrigado! Acredito ser meio responsabilidade de todos que podem ajudar. É um dever. Há várias coisas nas quais estou envolvido. A primeira foi o Demelza Hospice, que cuida de crianças muito doentes. Outra organização que está ganhando muita atenção no momento é o Trevor Project, uma linha telefônica de apoio e prevenção de suicídio voltada a jovens gays, bissexuais e transexuais. Sempre achamos, minha família e eu, que devemos apoiar causas pessoais. O Trevor Project não é algo que muitos atores apoiariam. Mas cresci rodeado de muitos homens gays e ouvi sobre o estigma que eles precisaram enfrentar quando estavam crescendo. ÉPOCA – Quando decidiu atuar, você era criança. O que o moveu? Daniel – Nada, na verdade (risos) . Eu não estava indo particularmente bem na escola. E uma agente chamada Sue Latimer, hoje minha agente e amiga de meu pai, falou com ele sobre um teste para David Copperfield . Ninguém esperava que eu conseguisse, porque nunca tinha atuado, nunca tinha mostrado nenhum interesse em particular. Eles me mandaram para eu fazer algo que ninguém mais na minha sala tinha feito. E aí peguei o papel. Mas só aos 14 anos soube que queria seguir carre

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